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sábado, 27 de junho de 2015

Grafites empilhados

Ontem nas minhas madrugas eu estava pensando e lembrando meus dias de Ensino Médio.  Eu estava conversando com um amigo que agora está morando em outro estado, e é incrível como a gente acaba nos mesmos assuntos de antes. Rolos e o passado. Caramba, como a gente aprontrou! Mais ele do que eu tá bom frôres?
Quando eu assisto um desses filmes teen que se passa com colegiais, é o clichê: Menina não popular que sonha com o capitão de futebol suuuper popular que tem aquele sorriso de pasta de dente e alguns gominhos no abdômen. Ela sempre tem uma amiga cafona pra quem ela diz "ele nunca vai olhar pra mim" com aquele sorriso de cachorro abandonado, e elas sempre estão andando por um corredor quando aparece as Bitch andando em nossa direção igual comercial de shampoo, e tem a
bitch do meio que é a mais bonita no conjunto: corpinho sarado, cabelão (quase sempre louro) e aqueles comentários idiotas típico de uma garota sem miolos. Essa garota tem um nome todo shine-bright-like-a-diamond, como Brianna ou Amberly.  Elas normalmente requebram como se não houvesse bunda no amanhã e sacodem os ombros tipo aqueles cachorrinhos lulu enquanto jogam os longos hair pra trás.

Aí do nada o boy purpurinado dos sonhos da protagonista aparece bem na frente dela e dá uma piscada ou faz algum comentário genial que deixa ela toda nos tremiliques e faz ela se convencer que ele tem um cérebro sincero e nada fútil por detrás dos músculos e do sorriso-pasta-de-dente, mesmo que ele anda com um monte de caras que parecem mais uma matilha de cachorros fazendo piadas idiotas e pulando em cima uns dos outros, e sem contar que ele sempre - SEMPRE- já deu uns pegas na Brianna/Amberly. Mas é gaaato minha gente. Isso que importa.

No final o boy acaba apaixonado pela nossa protagonista semgracinha com um beijinho no baile da escola ou campo de futebol e a lider das bitch olhando com aquela cara de "Whaaat?" e muito ferrada. Fim do movie. haha.

A vida real no ensino médio é muito diferente, mas tem algumas coisas em comum. n° 1: Sempre tem o boy popular. Só que não, ele não tem nenhum pensamento profundo por trás dos poucos músculos árduamente adquiridos e normalmente é um cafajeste que infelizmente nunca vai ficar com a garota meio feinha e sem graça da escola. E normalmente ele não é bom em futebol nem nada do tipo, só faz poser.
E tem as garotas populares (mas com só com os meninos)que sim , são totalmente sem cérebro e rebolam como se não ouvesse bunda no amanhã, e tem um nível mais baixo que as lider de torcida lá dos Estados Unidos, porque elas pegam não é o capitão do time de futebol, é quase a escola inteira. Ser menina popular no Brazil tem bastante diferença, né não?
E eu? Quem eu era? Provavelmente a friend brega da protagonista. Eu preferiria a palavra estilosa ao invés de brega, mas tô tentando ser sincera aqui, ta bom? Eu acho que estava mais pra brega
mesmo, se eu  tivesse fotos jogaria tudo fora. Ai que horroooooooor! 
*Aquele momento em que você se lembra do passado e quer afundar a cabeça numa areia alheia.

Eu era a que dizia: "É claro que ele está afim de você amiga!". E dava o suporte to-tal, pacote completo em até 12x sem juros. To brincando. haha.
Eu também era aquela como sempre que pagava os micos. Levava tombos, esbarrava em carteiras, sujava a blusa de sopa e enrolava a diretoria.
Aprimorei a técnica de dormir em carteiras no meu último ano, mas a essa altura eu era a mestre em negociar prazos de entrega com os professores. Minha maré ruim foi exatamente no último ano que ao invés da improvisação ninja para trabalhos de apresentação e provas ser apenas uma ação para emergências, se tornou rotina. Eu sabia que tinha que tinha prova somente no dia e dava uma lida tipo um resumão no pouco tempo restante.
E num é que as notas ainda eram não eram ruins? Meu cérebro fica a mil com café. 
Enfim, hoje na verdade eu me arrependo de não ter sido uma aluna estudiosa até o fim. Sei lá, pra sentir mais orgulho de mim  mesma. Mas eu tava num momento ruim da vida, acontece, né gents.
Minha vida de colegial não foi como nos filmes, eu não fiquei com um boy purpurinado, não dei a volta por cima ou fiz alguma coisa muito louca. Não era popular ou estilosa. A coisa toda foi meio esquisita cheia de altos e baixos.
Mas zoei bastante com amigos. Ah, isso eu fiz! E eles se mostraram amigos de verdade, até hoje a gente tá junto. Dá pra reconhecer amigos assim. Os falsos vão todos embora. E não existe isso de amizade acabar com distancia. Esse meu amigo com quem conversei na madruga faz dois anos que ele foi pro outro lado do Brazil. Mas quando a gente conversa é como estar sentados num daqueles banco compridos da escola onde a gente falava de tu-do.
Eu não sei porque esses filmes de high school ainda são tão interessantes pra mim, acho que é o lance que imaginar a época da zoeira com a galera e também a vontade de agitar pompons. Vamos adimitir, quase todas garotas brasileiras já se imaginaram num dos colégios norte americanos fazendo parte das líders de torcida, com direito a ser arremessada pelo ar.

Vamos! Vamos! Vamos agitar! Vamos campeões essa disputa arrasar!
Gostaram do meu grito improvisado? Até me imagino dando os passinhos. Uhuuul!
Como consolação no Brazil nós temos as nossas gincanas. A única chance que temos de segurar alguns pompons e gritar feito loucas - mas é das arquibancadas mesmo.
bonus:

=)  Comenta aqui em baixo sua experiência:

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